quinta-feira, 6 de julho de 2017

RESPONSABILIDADE POLÍTICA - Caso Tancos


Face ao recente desaparecimento (roubo) de material bélico em quantidade apreciável ocorrido na Base Militar de Tancos, o Sr. Ministro de Defesa assumiu a sua "responsabilidade política". Poderia esperar-se, que apresentasse a sua demissão ou que fosse demitido - o mínimo que deveria ocorrer nesta circunstância - mas tal não ocorreuMesmo se tal ocorresse nada adiantaria para o conhecimento da situação contextual. 
Não é propósito deste escrito estar a comentar a especificidade do gesto ministerial em concreto, nem sequer lançar palpites sobre a ocorrência que deu origem a um tal posicionamento. Para tanto estão a decorrer investigações, por iniciativa de tudo quanto é autoridade nesta matéria - o DCIAP, a PJ, a PJM, para mencionar algumas; fazem-se os comentários, como os de Pedro Tadeu no DN; alinham -se conjecturas e palpites, como no debate acesso entre os Srs. coronéis Sousa e Castro e Vasco Lourenço na RTP 3 do dia 04 à noite; o Sr. Chefe de Estado Maior de Exército suspende 5 Comandantes da Base por presumível responsabilidade, não obstante manter confiança neles (noticia do DN do dia 05); anunciou-se um protesto consistente na deposição de espadas por alguns oficiais (na reserva ou reforma) no Palácio de Belém, em sinal de protesto contra aquela suspensão, (protesto que no entanto acabou por não se realizar). São movimentações que valem por si, resultado das quais se saberá oportunamente.

Mas então o que é isto de responsabilidade política? É que vezes sem conta, esta mesma expressão tem vindo a ser utilizada por alguns políticos sem que daí se possa alcançar qualquer resultado de relevo para o destino  do país ou dos portugueses. Daí que seja legítimo indagar qual o valor exponencial deste acto político, qual  o seu valor, alcance e sentido.
Ora, materialmente e objectivamente considerada, do que até hoje se conhece, a assumpção desta  responsabilidade, carece de conteúdo. Em termos de interesse nacional esta não tem conduzido a coisíssima alguma. Reporta-se a pessoas que tem a sua profissão, geralmente bem relevante, são bem instalados na vida e bem relacionados, pelo que a "passagem política", em nada parece afectar a vida pessoal ou profissional. Com efeito, e bem ao contrário, para além, de reassumir a  sua anterior actividade, a passagem política, mesmo quando tortuosa parece atrair "novas oportunidades" e até ofertas de posições mais rendosas. - o leitor que faça a triagem dos casos e descubra veracidade do afirmado -.

Levada a responsabilidade política a sério num Estado de Direito Democrático, esta pode, deve e tem de assumir o seu verdadeiro estatuto e significado. E começa desde logo por uma questão de gestão. O dirigente tem de saber gerir politicamente. Há quem afirme que a política é a arte do possível; talvez assim seja, mas a gestão dessas possibilidades  tem de ser determinadas por cânones de ética de uma política de valoração democrática. Tudo há-de começar pelo conhecimento da pasta e do programa que escolheu  ou  que tem de levar a cabo. Neste campo o "know how" é basilar, nem sempre necessariamente compatível com graduações académicas, mas fundamentalmente demandando uma equipa técnica e politicamente capaz, longe de compadrios, de jeitos de favoritismo ou de recrutamento de agremiações ocultas. Assim, o procedimento exigível é o de privilegiar a confiança profissional em detrimento da simpatia ou escolha pessoal.
É em função desses pressupostos que se há-de avaliar a dita responsabilidade política quando questionada e a partir daqui descortinar onde é que esta falhou, a saber - no quadro constitucional,  no plano estratégico, no âmbito de relacionamento de liderança, no domínio do planeamento e organização ou ainda em matéria administrativa. É aqui que o responsável político tem uma palavra a dizer, nomeadamente se falhou e em caso positivo em que domínio ou domínios tal sucedeu.

É apenas isto que o País espera de um Ministro - um óbvio responsável político - que, perante um "caso" sentiu a necessidade de declarar que assume "a responsabilidade política".

Nota: não sigo o acordo ortográfico, enquanto puder.  

   







     

sábado, 7 de janeiro de 2017

GUTERRES - PAZ e o ACTO DE BENZER - 2017


       ANO "2017" -BREVE INFORME: SEI QUE NÃO FUI REGULAR NOS ESCRITOS - ACTIVIDADES INADIÁVEIS - VAI CONTINUAR O MESMO PELO MESMO MOTIVO - MAS CONTINUAREI A ESCREVER SEMPRE QUE POSSA.  
 
 
                  Dia 1 de Janeiro - Tomada de posse do Sr. Eng. António Guterres como Secretário Geral das ONU. Significativos foram dois actos e que merecem breves comentários - o seu apelo e dedicação pela PAZ e o sinal de cruz na sua  da 1ª entrada nas instalações da instituição.
                 Começamos pelo segundo. António Guterres, enquanto pessoa, crente, cidadão e Secretário-Geral tem o direito inalienável de exercer o seu culto onde quer que seja. Sucede porém que as instalações das Nações Unidas não sendo uma sede de oração é todavia o areópago de Nações, onde culturas, ideologias e religiões  se cruzam transversalmente. Neste aspecto a ONU e a sua acção assumem um caracter universalista, assente numa ética social mundial, que podendo coincidir com a ética religiosa de uma dada religião, não é exclusiva desta mas poderá certamente dizer respeito às éticas de todas as religiões do mundo. Históricamente falando - com particular incidência nos acontecimentos que marcam o mundo contemporâneo - é em nome de religião e por vezes de antagonismos entre religiões que  tem se tem vindo a praticar actos que traduzem o velho brocardo anti-civilizacional e deshumano  de "homo homini lupus". O problema não reside pois na religião mas na adopção de um "behaviour" que vá de encontro à salvaguarda da dignidade e solidariedade humanas - valores perenes em que afinal é suposto qualquer religião assentar. É mesmo temerário relacionar a ONU com uma dada religião ou erigi-la  como palco para uma manifestação do género venha de onde vier.  Por isso, entendo que, o acto de benzer formuladado pelo seu actual Secretário Geral é no mínimo despropositado.
                 É de elogiar a promessa e o compromisso do Sr. Secretário - Geral na sua pugna pela PAZ. Mas é isto que já há muito tem constituído a preocupação dos povos do mundo inteiro. A afirmação não constitui pois qualquer novidade; o que importa é a sua realização no terreno. Partindo do princípio de que não se trata de afirmação de mera circunstância, tantas e tantas vezes proferida, era de esperar que fossem indicadas pelo menos genericamente as vias para a concretização deste objectivo da humanidade. Ora estas vias é que ninguém sabe nem conhece. E não é preciso ser muito erudito para que se entenda que para começar é básico pôr termo ao prospecto de beligerência ou dito de forma mais simples, tentar pôr termo à permanente ameaça de guerra e de guerras em curso. Paz tem muitos sentidos, entre os quais - a paz armada, a pax romana, ou paz pela exportação de guerra -; mas antes e acima de tudo  paz, no presente momento que o mundo atravessa é e tem de ser simplesmente sinónimo de ausência de guerra. São bem conhecidas, por sua vez, as diversas facetas que a problemática da guerra comporta - desde interesses económicos, passando pela ambição dos militarismos até indústria da guerra. Mas não é isto que está ora em consideração. Estará o Sr. Secretário Geral da ONU disposto a declarar expressamente a condenação de guerra, venha ela donde vier? Sem esta garantia temo que os propósitos de paz, por mais devotos e sinceros, pode não passar de uma mera intenção de bons propósitos, à semelhança das afirmações e promessas políticas, belas ao serem proferidas, mas ocas de conteúdo prático. E até aqui estamos conversados.                  

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Homem de Arouca - o Bebé de Ourém

A criança entregou-se à polícia, depois do seu desaparecimento de 48 horas. É enternecedor ver fotos de três profissionais sorridentes (o que é pouco vulgar)  da GNR, um deles com a criancinha ao colo, felizes por a terem encontrado. Já o mesmo se não poderá dizer do homem de Arouca. Este anda a monte há mais de duas semanas, neste Portugal pequenino, apesar de equipas numerosas e devidamente preparadas da GNR e da PJ andarem à sua procura. O homem nem se entrega nem é encontrado. 
Dá que pensar. Diga-se à partida que ninguém põe em causa a formação e a capacidade das nossas forças policiais. Porém neste específico caso pode bem equacionar-se o porque das coisas.Falou-se primeiro de falta descoordenação, o que foi logo desmentida. Então do que se trata: - ineficácia? - incompetência? O que não falta porém é o amplo noticiário que se tem seguido nos órgãos de comunicação social - ela é a GNR a apreender dezenas de toneladas de droga; é a PJ a ter que lidar com centenas de desaparecimentos de pessoas; é a PSP e a PJ a fazer buscas num bairro da cidade em Coimbra são os responsáveis superiores das polícias que dão conta amiúde das aturadas actividades encetadas no exercício da função; são as armas que se apreendem, e assim por diante.
 
Já deixei claro que a polícia não tem de se justificar. Ela vale pelos resultados que apresenta em matéria da segurança interna. Basta diz que este insucesso policial tem gerado, não direi pânico, mas um profundo medo por parte da população local. Note-se que não estamos perante um caso de investigação mas de perseguição através de um aparelho montado para prender um presumível criminoso que anda por aí. Chega-se a aventar a hipótese do fugitivo ter apoios locais, por onde passa (se é que passa).
 
E é aqui que a problemática assume um aspecto que merece atenção. É o facto da população se empenhar também na sua própria defesa, tendo por interface a que é uso chamar-se policiamento de proximidade. Já há anos que tenho vindo a suscitar este aspecto formativo em matéria de segurança de populações, mas em vão: ora, pelo desinteresse político, ora, pela própria oposição das forças de segurança  que entendem  ser  capazes e suficientes neste domínio. Vê-se. Outros há que temem tratar-se de milícias populares. Se assim fosse, países como a Inglaterra, Austrália, USA, França, Holanda entre outros, onde existe este tipo de policiamento teriam que estar abrangidos por este eceio.
O policiamento de proximidade (community policing - nos países anglo-saxónicos e policiamento de proximidade nos países mediterrânicos e alguns do norte de Europa) tem de ser um projecto nacional a dimanar da Assembleia da República. Este tipo de policiamento tem de ser fomentado pelas comunidades locais. É um anacronismo e improdutivo quando este tipo de policiamento parte como iniciativa da própria instituição policial - é o que acontece no nosso país. Por isso inexiste um policiamento de proximidade em Portugal apesar de entidades de segurança a ele fazerem alusão. Houvesse este tipo de policiamento e a população de Arouca e das redondezas não teriam que passar por esta desilusão e trauma.  

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

OS PASSOS DE LAMENTAÇÂO DO DR: PASSOS

Passos é popularmente a designação dada a celebrações da Quaresma. É quando Cristo percorre o caminho com a cruz às costas, cristãmente designada pela via sacra no caminho de Golgotha.
Fazendo simbolicamente uma comparação, já aqui foi dito que é perfeitamente compreensível a lamentação do Dr. Passos Coelho ao ver simplesmente ser-lhe retirada a governação do país, apesar do seu partido ser o mais votado. É a democracia, pois que mesmo que assumisse o poder, corria o risco de não fruir de uma maioria  parlamentar para as suas iniciativas de política de austeridade como ficou demonstrado. Paciência. Porém, como leader de oposição, tinha pois o ónus de criticar e chamar atenção para os aspectos negativos da actual governação com vista a que melhorasse a sua forma de actuação, sendo caso disso.
Ora, no actual panorama, independentemente da ideologia que se perfilhe, a verdade é que se tem assistido a uma situação de descompressão socio-política, onde pelo menos se vai vendo e sentindo  na prática paulatinos esforços da alguma melhoria na vida dos portugueses. 
Porém, e enquanto leader do maior partido de oposição, o que se tem visto lamentavelmente é a reiterada prática no sentido de fazer afirmações, aliciamentos e quase-apelos para o desinvestimento, numa tentativa de torpedear e desmotivar o investimento em Portugal apenas porque o rumo que está a ser seguido é contrário à sua linha política, com suporte em dois partidos da esquerda, o BE e o PCP. À parte a similitude deste seu gesto com o velho papão do tempo do salazarismo, é caso para se indagar: afinal onde está o empenhamento patriótico deste leader político, no sentido de ver melhorada a sorte vivencial dos portugueses?    

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O ESTADO DA UNIÃO (EUROPEIA) ou O MALABARISMO DO DURÃO BARROSO

Não vejo motivo para criticar o recém ex-presidente da Comissão Europeia - Dr. Durão Barroso. Foi o que foi; fez o que fez e......deve "estar de consciência tranquila" como é aliás apanágio da quase totalidade de políticos (e não só) de praça quando se vêm a braços ou quando são confrontados com a "descoberta das respectivas carecas" (mesmo quando tem muito cabelo).
Mas esta, de descobrir a careca, não se refere a uma pessoa física mas à UE em si. Na verdade, quando o Durão Barroso foi escolhido para a presidência, os senhores(as) bem sabiam qual o palmarés do personagem em apreço. O cargo mais recente era na realidade o de Presidente da Comissão Europeia; porém anteriormente e do que sabe, pertenceu ao MRPP, então apelidando o PCP de revisionista e reaccionário, passou depois para o PPD/PSD vindo a ser seu Presidente secretário-geral, abandonou o cargo de 1º Ministro de Portugal numa altura em que o país se debatia com dificuldades (os economistas, mesmo como o recém ex-Presidente de República Prof. Dr. Cavaco Silva que o digam), e assegurou (faltando à verdade ao ex-Presidente da República Dr. Jorge Sampaio) que o acolhimento - "meeting" dado nos Açores a J.W.Bush, Tony Blair e Aznar, era a última tentativa para a paz no Iraque, quando no fundo o que aí se ajustou e se decidiu foi fazer a guerra. Do balanço como Presidente da Comissão Europeia apura-se apenas o acentuado descrédito em que a UE caiu. Num contexto assim, quem presa a credibilidade do cargo, o mínimo que se poderia esperar era recusar uma proposta "económica" tão aliciante já que a consciência da moral profissional não pode estar no mercado.
E tanto basta.
Dr. Durão Barroso Continua com sua carreira passando a um executivo do Banco Goldman Sachs, cujo papel na crise económico-financeira mundial é bem conhecida. Afinal, nas mãos de quem esteve o nosso destino vivencial europeu entregue? Numa das suas primeiras declarações Durão Barroso assegurou que com esta aceitação pretendia ser um auxiliar da UE! Valha-nos deus!
Por isso, esta de retirar honrarias ao Dr. Durão Barroso, nada acrescentando ou eliminando, não passa de um acto de farisaísmo, e apenas uma manifestação ou confissão de vergonha das altas patentes da UE e o que é mais grave ainda, a instabilidade e ignomínia a que se sujeitou a União.  Vergonha? Quantos mais a prenunciar o mesmo tipo de comportamento, ainda lá estarão nas medidas de mini - media - e máxima?

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

FOGOS FLORESTAIS - Paulo Gonçalves - o incendiário?


Fogos na floresta de Portugal - desde o Parque Nacional do Gêres, passando por Viseu, Mangualde, Arouca, Mealhada, até atingir Madeira - aldeia de S. Roque quase em cheio. Fico surpreendido  por haver ainda mata para arder, depois de assistir anualmente a esta triste saga. De tanto incêndio, deveria até diminuir a área disponível por cada ano que passa. O ano 2016, já não sei se é para recordar ou esquecer, depois de tanto sofrimento causado a pessoas e pela perda de casas, modestas ou não e outros bens materiais.
Incêndio florestais é um fenómeno à escala mundial, estando certos países mais sujeitos a este flagelo que os outros. Que o digam os arquifogos na Austrália e nos EUA - países porém ricos, que dispõem de meios de combate muito avançados e um investimento qualitativamente substancial no seu tratamento; daí que o rescaldo em matéria de danos não seja tão pronunciado como sucede connosco. 
 
Eis porque certas afirmações em matéria deste tipo de catástrofe raiam o irrisório, não fossem elas proferidas por agentes responsáveis, como o Presidente da Liga de Bombeiros, para quem existe mesmo "uma onda terrorista devidamente organizada". Sendo que por esta altura até se fala muito do Daesh, não se sabe se neste grupo está incluído o dos comerciantes de madeiras, as multinacionais da pasta de papel, ou até dos profissionais de loteamento para a construção civil ou outro tipo de construção! Verdade seja dita, que se aguarda investigação policial nesta matéria.
 
A MÃO CRIMINOSA
O que tem acontecido é falar-se "de mão criminosa" na origem do incêndio. Até há já que quem entenda que tem de haver também uma "mão pesada" para estes criminosos. Tudo bem, e que os há, há. Antes de tudo é preciso esclarecer a forma e modalidade de que se pode revestir a prática deste delito. Origem criminosa tanto pode derivar de alguém incautamente  ter deitado uma pirisca em terreno com arbustos secos, como alguém acender uma fogueira para um churrasco e apesar de se convencer ter apagado ter deixado cinza a arder, as achas de figos de artifícios  ou então alguém consciente e voluntariamente lançar fogo aos arbustos. Haverá outras hipóteses, mas estas serão as mais típicas. Em todas elas haverá uma caracterização criminal, ora involuntária ou voluntária; inconsciente ou consciente. Não se pode porém meter todas no mesmo saco
Porém, quando a imprensa ou uma entidade  fala de mão criminosa parece tentar inculcar a ideia de uma desculpabilização da entidade responsável a quem caberia em 1ª via cuidar da floresta, no sentido de que, caso não houvesse essa "mão criminosa", não haveria incêndio. É clara a falácia. É certo que uma não afasta a outra; o que é preciso porém é encontrar a  verdadeira razão das coisas de forma convincente. 
Há uns anos atrás, quando se pretendia explicar um incêndio, não havia "mão criminosa", e nem sequer se falava de interesses económicos e industriais subjacentes à razia que os incêndios causavam. Apanhavam-se geralmente um ou outro "incendiário" louco, bêbado ou  maltrapilho, que muitas vezes eram utilizado para a tarefa. Os verdadeiros interessados nunca apareciam. 
Agora, segundo o jornal i - 12.08.2016 - Smn) aparece Paulo Gonçalves, filho abandonado, alcoólico e drogado,  a suportar a responsabilidade de grande parte da Ilha da Madeira, mais propriamente da Região Autónoma da Madeira ter ardido. e porque? - uma mulher, que nada viu terá gritado "é ele; é ele" e todos correram atrás dele; ou porque o companheiro com que partilhava a casa ter ouvido o homem dizer "fodi isto tudo" e quando tudo estava a arder chamou o amigo dizendo "Anda a ver. incendiei isto tudo". Poderá ter sido o Paulo, mas convenhamos que é bem pouco em termos de investigação criminal. Por apurar ficou a forma do ordenamento urbano da freguesia de S. Roque; o índice de construção nova centrado em 71.3% - tipo moradias; a proteção devida a casas mais modestas; a capacidade de resposta dos meios de que os bombeiros dispõem e o acesso das vias de acesso para o combate ao incêndio.
Aguardemos os próximos capítulos.    

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

FACTOS QUE PASSAM - HISTÓRIA QUE FICA


04 de Agosto de 2016. Muita coisa aconteceu e eu aqui sem nada dizer. Não que tenha a obrigação de dizer algo. Sou um simples bloggista e todos os que fazem o favor de me ler podem bem passar sem o meu comentário. Mas uma coisa é certa; o mundo, os factos e os acontecimentos não me são alheios, sobretudo quando, os mesmos dizem respeito à condição humana, com direta incidência na dignidade do homem.
E então comento, transmito o que penso, exteriorizo o que perpassa o meu sentimento e a minha consciência. Vejam lá! Cheguei à conclusão de que se o inferno está cheio de boas intenções e as virgens do paraíso só são fruídas pelos que morrem matando outros e se matando a si próprios, então mais vale alertar que nem há inferno nem paraíso,  nem há boas intenções, nem há virgens - há só o mundo dos homens, onde ninguém quer odiar, ninguém quer morrer prematuramente e todos querem viver em paz harmoniosa.
Se assim é, cada um tem a obrigação de lutar pela sua própria dignificação. Sem luta é que nada se consegue. Eis por que escrevo. Escrever pode ser lutar, é o que pretendo.
Não irei mencionar todos os acontecimentos que ocorreram ao longo deste meu  interregno, nem formular comentários repetidos por redundantes. Menciono apenas alguns pelo reflexo que estão já a ter para o nosso futuro. 

O caso ERDOGAN: Turquia, a ferro e fogo de prisões e afastamento de funcionários de cargos públicos e privados. Com que tipo de Justiça e com qual juiz independente irá ser formulado o pedido de extradição do clérigo Gülen, numa altura em que mais de 2400 magistrados foram demitidos ou encarcerados? A introdução da pena de morte, a ocorrer, viola não só o direito à vida, como representa e materializa um ESTADO DE VIOLÊNCIA. Quer a nível da Europa (Convenção Europeia dos Direitos Humanos), quer a nível das Nações Unidas (2º Protocolo Facultativo - Tratado Internacional de Direitos Civis e Políticos) se defende a sua abolição. Está demonstrado que a pena da morte não diminui a criminalidade a que se destina - caso típico dos EUA -. Por outro lado, um Estado Violento, legitima e gera a própria violência. Daí que por mais que o Presidente Erdogan procure legitimar a reintrodução da pena de morte, dizendo que tal poderá acontecer se o povo soberano assim o quiser através da votação no parlamento, estaremos perante um regime autocrático e retrógrado, que o povo, mesmo transitoriamente enganado, saberá a seu tempo alcançar a sua dignidade, amante de liberdade e defendendo o laicismo. Tal não afasta nem esconde porém a apetência do Erdogan para um ditador com a roupagem de democrata. O povo turco que se acautele.

O caso TRUMP: Não faço apelo ao termo algo semelhante em português acrescido de "a". O que mais me espanta é o povo americano, que preza ser respeitador de valores democratas, tenha escolhido o pior de entre os candidatos republicanos. As afirmações do Sr. Trump, de domínio público são simplesmente indignificantes para um candidato á Presidência Americana. Embora o Partido Democrata americano não prime pelas suas virtudes pacifistas e de medidas com significado ou alcance social a verdade é que do lado Republicano nada de válido há a esperar. Basta ver as "proezas" do actor Reagan e do George Bush (filho) este que ainda não está livre de responder por crimes de guerra e contra a humanidade.

Os JOGOS OLÍMPICOS: Terão início oficial no dia 05 de Agosto, pelas 23.30 hrs(Portugal). Deixemos de lado os aspectos incompletos das estruturas para a sua realização, o que não há seguramente dúvida é que este país se transformou num "estado polícia" genuíno, com inevitável incidência nas favelas. É com a população destas zonas que nos devemos solidarizar, exepção feita ao subproduto dos traficantes da droga e de actividades afins, em mancomunação com a componente da alta corrupção financeira, seguramente não centrata no estrato de extracção índia ou negra. Digam o que disserem, até ao presente Brasil é um país aparentemente democrata de racismo disfarçado. O caso da Dilma é paradigmático como o país está entregue aos "coronéis" da alta finança, a grande parte deles milionários, pouco se preocupando com a credibilidade do país, como o demonstra o triste espectáculo do "impeachment" a escassos meses dos Jogos Olímpicos. De momento estamos conversados.

O TERROR: Factor material: Ele aí está - o Bataclan; Nice e outros. Mas não se pense que é só a Europa a ficar afectada. Também o são países como o Iraque, Afaganistão, Tunísia, Yemen, Síria e outros, onde porventura o número de vítimas até poderá ser bem maior. Este dado apresenta assim duas evidências - 1ª que nem todos os árabes e muçulmanos são terroristas; 2ª dada a componente minoritária do EI, a forma desregrada de recrutamento e a vaga de migrantes para a Europa são demonstrativos que a grande maioria dos que professam o Islamismo é sumamente pacífica, nada nutrindo contra o povo europeu. Vindo á procura e busca de um melhor nível de vida, os migrantes não estão seguramente empenhados em destruir o local procurado nem eliminar as pessoas cujo convívio procuram (a exepção não faz a regra mas confirma-a). É óbvio que o reflexo do terror na Europa é mais sentido, ora porque está distante dos locais onde a guerra regional ou a instabilidade social estão instaladas, muitas vezes devido ao envolvimento de seus responsáveis políticos, tudo se passando por isso em contraste com a acalmia e o bem estar que se desfruta por estas bandas.
                      Factor pessoal: O ISIS ou EI tem vindo a reivindicar muitos dos atentados terroristas, mesmo os actos de aparência terrorista, mas praticados por pessoas desequilibradas. Mas há uma incógnita que é fundamental esclarecer - como qualificar a prática de actos de terror e a sua reivindicação por alguém que se esconde com a cara tapada, escudando-se apenas sob a designação abstracta de uma sigla? Ou o autor (ou autores) não se identifica porque configura o acto praticado com condenável,  ilícito  e não apoiado por outros, ou simplesmente não assume a responsabilidade pelo acto, precisamente por nele não acreditar, considerando a acção praticada como fútil. Em qualquer dos caso e precisamente pela postura do autor aquilo que apelidamos de actos de terrorismo mais não serão então violência pura e sem significado, o que terá como consequência a justificação de toda a actividade, incluindo a contraparte violenta  para por cobro a essa actuação. Em bom rigor, os actos cometidos traduzem-se em gestos de violência indiferenciada e gratuita, atingindo sempre o cidadão vulgar, cada vez mais revoltado.
 Para quem conhece a vertente e o impacto de uma religião oriental e a sua queda para o fanatismo (há que não olvidar que o próprio cristianismo assumiu historicamente na Europa e nas paragens orientais e ainda num passado bem recente ora foros de fanatismo, outras vezes de  farisaísmo) é conhecido como o elemento metafísico se sobrepõe à valoração do domicilio ou de nacionalidade. Assim, nenhuma novidade existe neste sentimento. Um muçulmano que sempre nasceu e viveu em França pese embora por ex: de origem tunesina, pode ser tão fanático como aquele que nunca saiu da Tunísia, com a agravante de ser vítima de uma exclusão social ou então auto excluir-se ele próprio socialmente.
                   Contributo para entender o problema: Esforços estão a ser feitos para solucionar o problema de terrorismo. É sabido que este apresenta muitas facetas, não cabendo aqui e agora analisá-las. Uma coisa é certa: o terror, "qua tale" não desaparecerá. O grau de terror terá o seu cambiante, as suas modalidades, mas continuará em escala maior ou  menor, consoante os ventos da história (agora o ISIS e o seu apregoado hegemonismo até a Andaluzia), mas onde também se incluem, os mentalmente frágeis, os frustrados, os de ideologias extremistas, como os recentes acontecimentos na América, Noruega, Nice e os tiroteios aleatórios, em restaurantes e escolas tem demonstrado.
A sociedade tem os seus criminosos e como se sabe, é muitas vezes fácil inserir o comportamento destes no rol de actos de terror. Por outro lado, há que notar que as guerras geram os seus traumatizados, pelo que não é de excluir que muitos dos acontecimentos violentos e de terror possam ter a sua génese na influência que é transmitida (da mesma forma como um filho passa a ser do mesmo clube a que o pai pertence) em  casa, perante os filhos e outros, em conversas aparentemente inocentes mas que deixam o gérmen de violência, do racismo e de outras fobias
                    Pistas para solucionar o problema: Num escrito anterior já referi que o mais atroz dos terrorismos é o de matiz religiosa, o qual iniciado como tal, portanto irracionalizado, passa a assumir natureza política. Nestas circunstâncias, do proselitismo e universalismo que uma religião assume, não basta ou é mesmo insuficiente difundir que uma dada religião não preceitua a violência ou que se não concorda com a interpretação que lhe é dada no sentido de praticar a violência via terror. É uma forma muito cómoda de um combate não comprometedor e ineficaz.
Neste momento, e aparte os vários movimentos de índole religiosa com que se depara (veja-se por ex: o movimento hindutva na Índia, protagonizado pela organização RRS, patrocinada pelo Janata Party ao qual pertence o 1º Ministro da Índia, Modi) há que assumir que o ISIS, tem a suportá-lo os dignatários religiosos do islamismo.
IMPÕE-SE A SOLUÇÃO DETERMINANTE E FINAL - um concílio ecuménico de todas as comunidades islamitas - sunitas, shiitas e outras - representadas pelos seus dignatários religiosos e comunitários espalhadas pelo mundo - no sentido de condenação da prática terrorista e a qualificação do projecto imperialista do ISIS como quimérico e falacioso, religiosamente não consentido mas conducente a uma destruição de pessoas, e de conivência social e paz mundial.

AS PENALIZAÇÕES DA UE CONTRA PORTUGAL: Pelos vistos a decisão da UE para penalizar Portugal e a Espanha ainda não esgotou os episódios. Há porém, aspectos chave que importa reter para se descortinar alguma luz sobre esta situação rocambolesca. Assim:
- Não tem sentido esgrimir que os responsáveis da UE, responsáveis pela decisão que vier a ser tomada, não foram eleitos, ao contrário do que sucede com os governos europeus, saídos de eleições democráticas, com suporte parlamentar. A UE é assim, vive assim e assim será. Não se coloca pois aqui uma questão de legitimidade dos homens da UE. A sua legitimidade funcional decorre do facto da orgânica e funcionamento da UE ter sido aceite pelos países que a compõem, tal como é. Há que arcar com as consequências. Outra porém é a questão de saber e discutir se a decisão tomada por aqueles senhores é legítima ou não.
- Os homens responsáveis da UE são na sua grande maioria ligados à chamadas linhas socialistas mitagadas ou sociais democracias, no meio dos quais pululam elementos liberais e/ou neoliberais, no entanto todos se confessando adeptos do Estado Social mas apoiando e facilitando ostensivamente e aos poucos a decapitação deste mesmo Estado Social. Basta escutar Mário Draghi, cuja assinatura aparece em notas do Euro,  que sem papas na língua, em pleno Conselho de Estado e sem que houvesse qualquer reacção dos presentes, disse que o actual governo devia seguir a política do anterior governo, contrariando a posição adoptada pelo nosso Presidente de República. Onde começa e termina a independência e soberania de cada pais na UE? 
- A UE assenta hoje numa economia basicamente de mercantilismo liberal, algo despido do ingrediente ou de preocupação por um Estado Social. Porventura não terá originariamente sido assim. A adesão à CEE, pelo menos no que diz respeito a Portugal, por acção do então 1º Ministro Mário Soares era a de evitar que se enveredasse por um sistema socialista que aproximasse o nosso país mais de economias do Bloco Leste. Por acção mancomunada de Reagan, Gorbachev e Papa João Paulo II o regime soviético e seus satélites já não existem mais. Era de supor que houvesse mais moralização. Mas tal não ocorreu, antes pelo contrário. Aliás são bem conhecidos alguns dos personagens com cargos nas estruturas europeias que acabaram por merecer a recompensa depois de deixar Portugal no estado economicamente débil em que se encontra.
- Mas então porque é que a escolha assenta em Portugal e Espanha para efeitos de sanções, depois do choque aplicado à Grécia? E porque terão então escapado a este regime sancionatório a Alemanha que há anos tem furado a regra do défice, tal como a França? Será pelo medo do constante aspecto de mau humor do Wolfgang Schäuble ou  porque "France c´est la France? Não senhor. A razão é bem mais profunda. É que em Portugal um PS, como partido de esquerda, um BE e um PCP conseguiram derrotar no Parlamento uma formação política enfeudada ao interesses mais primários da UE, no seguimento de uma política de austeridade, adversa aos ditames de um estado social. Em Espanha, na óptica da UE corre-se o mesmo risco com o Podemos, tal como se correu na Grécia com o Syriza mas que ainda foi travada a tempo. É isto que se quer para em Portugal.
Compreende-se as agruras de um PSD, que apesar da simpatia das estruturas da troika e de ter ganho as eleições, não pôde governar por falta de apoio parlamentar e agora pelo distanciamento que sofre do Presidente da República. Paciência, enquanto melhores dias não apareçam, é melhor ter os pés assentes na terra e pugnar para o bem estar do povo português.